Nunca mais chega o horizonte.
Estático e pesado como um rinoceronte,
encaro a paisagem impaciente.
O pensamento dormente
extingue-se às manadas
de migrações algemadas.
Sinto o tempo em deslocação absorto,
e a inspiração é a de um morto.
Por fim, dá-se um transbordo
sob a forma de sangue no bordo
das esporas. Um frémito galopante,
e tudo é bonito durante este espasmo de instante.
Em redor, as caras passam em turbilhão sem amor.
A alegria (e tudo) perde de ser a razão. Sobra dor.
Sobra também, ímpar, o horizonte.